O Outro (Fragmento)


O fragmento a seguir é o trecho dum livro que eu estou escrevendo e para descrever a história desse livro eu aposso-me das palavras de Peter Kamezind, quando ele dizia "tenho que escrever a obra de minha vida". Pensando nisso, recordo que no fim dessa narrativa de Herman Hesser, Peter termina não concluindo a obra da sua vida, pelo menos não na dimensão literária, mas de outra forma. No meu caso, eu pretendo terminar pelo menos dois dos meus projetos literários. Um deles é o livro no qual este trecho está contido. Chamasse O Outro, e neste trecho vemos o personagem principal versando a cerca da necessidade da solidão, sobre a influência e a beleza da mesma sobre sua vida. Boa Leitura.


O OUTRO...fragmento...(Guto)


(...) Sob um rosnante temporal, eu pensava e meditava a cerca dos desígnios de minha solidão. "Devo amá-la". Penso nisso para tentar dar forma à importância dela em minha alma inconstante. Devo, por fim, trilhar esse caminho, me apegar a esta solidão e saber que neste mundo não me há um igual, um companheiro e cicerone. Onde mais encontrarão um indivíduo racional, cuja alma ferve num romantismo voraz, que sente que o mundo precisa dum algo mais e se pergunta por que as pessoas saboreiam a vida duma forma tão insípida?

Dessa forma eu me vejo num infinito mar, sem visão de um porto seguro ou de uma rota amiga há bilhões e bilhões de quilômetros. Pois é, é assim que eu me sinto ao sair por ai num tenro passeio solitário em uma tarde qualquer, apreciando a coloração de uma tonalidade púrpura que caracteriza o crepúsculo. Observar essas coisas e os mistérios profundos que elas encerram representa para mim sempre um tesouro incalculável.

Vejo os outros caminharem por aí, adquirindo mais um dia em suas vidas, comem, bebem, dormem e esperam thânatos. Realmente tal visão é desoladora. Como é possível não pensarem na essência de suas almas, aceitarem as coisas tal como estão e julgarem toda essa imundice destrutiva normal? Eu não posso, e nem consigo, em nome do bom senso e do romantismo.

Em meio a toda essa insanidade, eu só prevejo para mim ela, a solidão, caminhando comigo, do meu lado, descansando o braço no meu ombro e sussurrando em meu ouvido palavras de consolo e coragem. Já posso vislumbrá-la e até senti-la próxima, não sei quando, mas já chegando, necessária e fatal. Está indubitavelmente alvorecendo em mim, no meu desprezo pelo coletivo, pelo vulgar. Eu nasci sob tua estrela e ela me ilumina (...)

Comentários

  1. Você pode ser sozinho, ou pode querer estar sozinho, mas ao escolher a solidão como opção, é simplesmente, querer se afastar de tudo, do que é bom e belo, e do que é fútil e vulgar, mas o que seria de nós se não fossem as oportunidades de se conectar com outros seres para termos a opção de fazer este questionamento a cerca da solidão? Se não fosse a oportunidade de estar em companhia, para existir uma comparação, como seria se não houvesse o vulgar para poder reconhecer o sublime? Todo o mal que existe hoje na humanidade é necessário para que possamos refletir e tomar decisões sobre o que realmente importa e sobre o que realmente queremos ao fazer nossas escolhas. Queremos realmente ser sozinhos? Todo o tempo? Realmente existe satisfação na solidão? Necessitamos estar sozinhos por um momento, mas e por todo uma vida? É possível se afastar do mundo e viver um solidão eterna? Quando estamos sós não podemos compartilhar nossas experiências, nem podemos saber como é ter um momento com alguém que seja especial, que torne desse momento uma emoção, ou autores veneram a solidão, porém não pertencem a ela, é como um artista que cria sua obra de arte para que outros possam contemplá-la.

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  2. Elba valeu pela crítica!!!
    Mas você lêu o trecho e esqueceu que isso é um trecho, jugar um trecho sem conhecer todo o seu contexto e por demais precipitado. Equece-se também que ali é uma personagem falando e não "Guto". Portanto a solidão desse personagem é dele. A maneira que você escreveu parecia até que se dirigia a mim. De qualquer forma, nós podemos ser solitários estando no meio de trezentas pessoas, a solidão é um estado, uma atitude e não um atributo físico envolvendo lugar e afastamento. Vou dar um exemplo bem banal, é solitário curtir música clássica e ir pra uma ilha com seus amigos, e lá todos curtem pagode e ralam a tcheca no chão. Você falou várias verdades sem nem procurar conhecer o contexto do por quê aquele personagem era daquele jeito, ou se ele estava daquele jeito naquele momento. Mais um exemplo de solidão é a dos grandes líderes, estes sempre tem que tomar importantes decisões solitárias em suas vidas e que influênciam vida de muitos, um erro e eles estão perdidos. Só vou me ater a essa parte já que o resto que você falou não teve muita relevância com o "trecho".
    Um beijo!!!!!

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