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Mostrando postagens de junho, 2020

Solstício (Guto)

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Enegrecida crista escarpada Onde o sol não toca Nem revela o mortal obstáculo. Enrigecido músculo viril A mão apalpa a pedra  E escala a encosta serrilhada Com mil pedras pontiagudas Suor no rosto Um bela face Só mais um rito Como já gritei anos antes Hoje eu repito "Ainda estou vivo" E bebo esse pulso negro Que me alimenta  E chamo de irmão! O sol não toca, E me revelo por conta própria Seguindo um destino que avança Galopando um cavalo renegado Em frenesi Em conexão ancestral Com o que eu digo que é meu Mas não me pertenceu Nem deve pertencer Assim eu mantenho-me livre Mergulho nesse inferno Bebendo essa fonte obscura Que me alimenta E que chamo de pai. Assim eu repito "Ainda estou vivo" Curvado em reverência Diante da cotidiana onipotência Que está em torno de mim De forma explosiva De modo harmônico Em seus contrários Pretextos pra seguir seu rumo Galopando o corcel renegado Nas asas dos seus sentimentos Que o sol não toca Nem queima O pulso soturno Que me alime...

O Reduto (Guto)

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O Reduto régio habitual Me ponho em trágico luto Me enxergo e penetro isso tudo Na porta fechada que está À face as entranhas da terra Avanço a emboscada final No trágico luto Esqueço de mim Aqui(...) (...) bem aqui Encolhido e escondido Forçando as paredes que apertam Urrando de fúria no útero Habitat e reduto Tudo é tão escuro Um signo(...) Um luto(...) Um centro ardente me queima E eu sequer refuto Devoro essa glória - Derrota - Por puro impulso Nada mais justo

Cabelo Castanho (Guto)

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Cabelo castanho Assim é o sol? Na volta serena Da lua em meu hall Você me persegue É noite cinzenta Cabelo castanho Minha dama pequena. Nos dias asmáticos Você é o meu ar Ascende em meu peito Envia-me ao mar. Cabelos castanhos Caindo em seu rosto A ti degustar Teu gosto Variando estações Dentro de seu peito A ti degustar Aqui em nosso leito.