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Mostrando postagens de maio, 2014

Soturna (Guto)

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"Sob o sol, sob a chuva(...)" Soturna (Guto) Mistérios em meio a tardes Precipita-me em sua alma Descubro tudo, desnudo um mundo Não o bastante, nunca o bastante Seu semblante é uma sombra que me atrai Seu lábio sorri e lá estou Encontro te na incerteza e o mundo estremece Nossa era é a tarde Profunda ao que percebo em mim Precipita me um corpo cálido Com tudo o que a gravidade pode oferecer sobre mim Soturna é a face que sorri seriamente Como pode ser assim? A luz engana.

O Garoto Esqueleto III (Guto)

O Garoto Esqueleto III (Guto) Engendrado na própria tertúlia Emaranhado de ideias absurdas Sumo sacerdote de si mesmo Não me esquivo e minha alma passeia Antes era algo de mim no meio do mundo Enquanto eu via o mundo me abandonar De pressa interpretava sonhos céticos Não há nada como a arte de vilipendiar Triste e esquivo, faço o pedido Fechado na concha da arte de pensar Triste destino do amor perdido Sem rumo e sem lar Fecho me em mim totalmente Mas o mundo me abre sem piedade Por isso maculo as certezas da cidade Enquanto fujo no silêncio da tangente

O Garoto Esqueleto II (Guto)

O Garoto Esqueleto II (Guto) Raquitismo anímico e úlcera do ser Morre de amores por mim Eu enxergo essa sequela secular Pulverizo tudo e chamo por nome próprio Entretenho-me por alguns segundos Mas depois perco o interesse de mim mesmo, Perco a calma e chamo por nome único Quando o tempo voa em minhas costas Lares de desamparo no meu coração E a hora negra em minhas costas Cota de malha que não mais guarnece Mas eu sempre tenho uma justificativa Enfim, olho no espelho e esqueço Estendo o braço pro outrora desprezado, Para o trivial e abundante Se olhares com calma, verás em minha face O esboço de um sorriso

O Garoto Esqueleto (Guto)

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"I'm not the only one(...)"  Nirvana - Rape me O Garoto Esqueleto (Guto) Eu tenho a intuição deste bardo, Vejo através dos olhos dele E sangro pelas suas chagas abertas. Garoto esqueleto da canção perdida Que subverte as certezas do bairro, Algum dia ei de ser como você? Há tempos me vêm os sinais deste bardo, Como uma víbora armada, Então aqueles dias se tornaram inesquecíveis, Exemplo de uma vida melhor Mesmo que Deus tenha sido derrubado Do seu trono no topo do sol E retornado para lá triunfante E na forma de trindade atômica.

Viva e deixe-me odiar (Guto)

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"Call me morbid, call me pale(...)" The Smiths -  Half a Person   Viva e deixe-me odiar (Guto) Eu queria ter criado este novo homem, este que te ama e te honra como merecias. Eu queria ter sido menos leviano, menos fútil e difícil de lidar. Mas a angústia de não ter algo novo com o que lhe presentear me sufoca, minha linda e adorada Cecília. E todos sempre souberam o quanto eu te amo, mas todos sempre me desprezaram pela minha excentricidade. Ah, minha primeira e única, no mundo não há lugar para o meu amor nefasto. Por isso eu te peço: “Viva e deixe me odiar.” Oh, Diga-me o que vou fazer, agora que suas amigas não me querem por perto, e que sua família já me despreza ainda mais? Talvez um revolver possa me ajudar, ou quem sabe um décimo andar qualquer. Se as artérias do meu pulso se rompessem, com a fúria da navalha, você correria para me ajudar, minha sagrada Cecília? Ah, minha inalcançável, mesmo se você viesse, ante a sua bela face, eu diria: “Apenas viva, e deixe-me odia...