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Mostrando postagens de janeiro, 2010

A Alma no Jarro

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Alguns poemas são dolorosamente necessários para mim. Geralmente quando eu estou em estado de “paz de espírito”, seja lá o que isso venha a significar, escrever poemas não é um trabalho doloroso, mas o contrário disse é sempre, digamos quase um trabalho de exorcismo, e eu acho que o que eu escrevo acaba sempre sendo uma espécie de trabalho simbólico e auto-revelador. Não foi diferente com o poema que vos apresento,. Com ele, escrito em primeira pessoa, eu anuncio ao mundo que sou o único capaz de machucar. O inimigo mora dentro e não há como dele se livrar. Por isso vivo por ai em constante conflito os quais eu tento saber suas gêneses e talvez encontrar um modo de dar um fim a isso. Não sei bem se há possibilidade disso, já que ao final o poema é concluído com um emblemático “ad eternum”, que perpetua esse conflito interminável. Essa temática já foi abordada de forma parecida aqui no blog anteriormente no poema o Blues Menor. Mas nele o foco do desespero era centrado no vício, enquant...

Os Dias

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O poema trata de um tema natural, o desespero de sentir os anos passando e saber que a velhice e todas as suas irremediáveis mazelas estão próximas. Daí a vontade de fuga para terras lentas, ou até mesmo uma terra do nunca onde o garoto perdido ficaria de vadiagem por tempos indefinidos (Ronaldo que o diga, RSRSRS). Aqui a velhice é temida por trazer a fraqueza física, roubar os vigores da juventude e nos informar inconvenientemente que “os dias” já estão se esgotando.          Os Dias (Guto) Com a velhice de meus ossos não aprendo nada mais, Não há o que pensar de mim no hálito exausto, Nem quero ver essas pernas fracas que se quebram, Rompem-se na frieza do outono semi nublado E não mais se erguem para avante caminhar. Há um mundo que ficou para trás, Por isso eu alimento o meu rebanho de desgostos, E vou além do que me disseram ser o certo Para ter do que se arrepender depois. Vou fugir para a terra lânguida Onde as meretrizes são rainhas E os vadios d...

O Sansara Interrompido

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A Primeira Postagem do ano de 2010 chega a ter um título paradoxal com o fato de estarmos “re”-começando mais um ano. Sansara, que no budismo é o ciclo de repetidas mortes e renascimentos que temos que passar até atingirmos o Nirvana, no título desse poema é dito como interrompido. É ai que se encontra o choque das coisas, começamos mais um ano, mas meu poema interrompeu o sansara queimando esse corpo podre para a carne não poder voltar. Talvez tudo isso não passe do mais puro simbolismo, representado pela colocação do corpo como a morada dos desejos e instintos pecaminosos e que devesse ser queimado para que as tentações da carne não caiam mais sobre ele. Mas a coisa não é assim tão fácil, se assim o fosse, o suicídio, ou até mesmo o assassinado seriam formas de iluminação. Mas as coisas não se passam assim no budismo e também não é só isso o que o poema mostra. O fogo que queima no final é puramente simbólico, talvez seja a falta de força de alcançar o espiritual por si só, por iss...