A Alma no Jarro

Alguns poemas são dolorosamente necessários para mim. Geralmente quando eu estou em estado de “paz de espírito”, seja lá o que isso venha a significar, escrever poemas não é um trabalho doloroso, mas o contrário disse é sempre, digamos quase um trabalho de exorcismo, e eu acho que o que eu escrevo acaba sempre sendo uma espécie de trabalho simbólico e auto-revelador. Não foi diferente com o poema que vos apresento,. Com ele, escrito em primeira pessoa, eu anuncio ao mundo que sou o único capaz de machucar. O inimigo mora dentro e não há como dele se livrar. Por isso vivo por ai em constante conflito os quais eu tento saber suas gêneses e talvez encontrar um modo de dar um fim a isso. Não sei bem se há possibilidade disso, já que ao final o poema é concluído com um emblemático “ad eternum”, que perpetua esse conflito interminável. Essa temática já foi abordada de forma parecida aqui no blog anteriormente no poema o Blues Menor. Mas nele o foco do desespero era centrado no vício, enquanto que em “A Alma no Jarro" o problema exposto tem teor existencial. É sempre o eu contra o eu, ou, fazer a tolice e depois precisar morrer, mas sabendo que nunca se quer vou lançar o punhal contra meu próprio corpo, pois sei que é preciso agüentar essas coisas, como um Harry Haller no Lobo das Estepes talvez.


A Alma no Jarro (Guto)
A arma que me fere é tão própria,
Tanto me ama que me golpeia a têmpora
E do sangue simbólico que das chagas saltam
Faço um perdão moldado em barro,
Assim crio um infinito no meu polegar
E sustento o mundo que me despreza.
Faço chances que se perdem e amargo derrotas mil
As quais eu guardo sob as camadas de folhas
Ou no abismo de um ego decadente,
Que se apaga,
Como a morte de uma estrela cintilante.
Levo tempos nas montanhas solitárias
Ou no solar das tardes rubras
Onde tudo se torna nostálgico e profundo.
Mas o limo insiste em permanecer meu companheiro
Para partirmos em viagens tolas ad eternum. 
Fonte da Imagem: http://nandomendes.com.br/wp-content/uploads/2009/01/foto-barro-com-oleiro-encarte.jpg

Comentários

  1. Caramba!...que lindo poema cara...Vc é o autor?
    Tambem tenho um blog e estou tentand ocrescer um pouco...escrevo poesias tb

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  2. Landcaster, muito obrigado pelas palavras de elogio. poema é meu sim, assim como todos os textos que eu posto no blog. Adorarei conhecer seu blog, a poesia é uma das maiores formas de libertação do espírito.

    Um abraço!!

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