Primeiro Post

Ai vai o debut do blog. Como eu tinha dito na descrição, esse blog tem o objetivo de postar meus pensamentos das mais variadas formas, assim achei que seria interessante começar postando um poema. O título dele é bem sugestivo, O Eu, ele traz uma confusa e essencial abstração sobre a relação do nosso próprio eu com o tudo que nos cerca e nos impõe sua influência, muitas vezes sem que percebamos, e nos relega a mísera posição de receptáculos passivos. Espero que curtam.
O EU (Guto)
Eu sou uma armadura e uma casca,
Um amontoado biológico.
Sou todas as dores que ecoam do meu ventre,
As chagas que de minha carne irrompem
E os líquidos que por mim percorrem
Até saírem expulsos dessa armadura.
E ainda assim,
Eles são eu.
Pois o lodo que nos pântanos borbulham
Misturados com o miasma fétido
Também é a minha matéria
E a minha matéria é tudo
E tudo é a minha matéria.
Ainda assim mesmo sobre tais circunstâncias
Devo afirmar categoricamente, antes de mais nada,
Que o tudo que eu sou, não sou eu.
Pois o eu que deveras sou
Encontra se perdido em algum lugar
E o tudo que sou, e que não é eu,
Realmente nunca foi eu.
Este eu foi me emprestado pelo tudo
E assim no tudo eu estou, e não sou.
Desta forma eu permaneço sendo o tudo
E permaneço também sendo eu.
O eu enquanto tudo.
Mas em contrapartida permaneço eu
Esse eu é o eu para mim enquanto eu mesmo.
O eu oculto e não revelado.
O eu solitário e ideal.
Ele existe onde eu nunca fui
Mas, ainda assim, posso afirmar
Que ele está lá.
Só que mesmo sabendo eu não posso prová-lo
Pois mesmo eu sendo eu
A maior verdade é que eu nunca fui eu
E se alguma vez já o fui
Não posso isso saber agora.
Pois o eu que sou agora
Não é conivente com o eu que eu deveria ser.
E mais ainda, o eu que eu sou agora
Não sou e nem nunca foi eu.
Pois esse eu que eu sou e não sou é o tudo.
E o tudo que eu estou sendo, mesmo sem ser
Foi me emprestado para eu ser.
Por isso não vejo como posso ser algo que não sou
Já que em verdade é o tudo.
Faz parte de mim, mas não sou eu.
Eu sou o tudo e quanto ao tudo
Ele também sou eu, mas por pura imposição.
E assim enquanto eu sigo sendo o tudo
Não tenho necessidade nem de ser nem de buscar
O outro eu perdido.
O que sempre fez parte de mim
Mesmo eu não sendo eu, e sim o tudo.
Esse eu pode ser eu enquanto eu sou o tudo
Mas o eu enquanto o tudo jamais pode ser eu.
Pois o tudo nega o meu eu
E o meu eu passa a ser o tudo
Deixando de ser eu para ser apenas uma sombra
No tudo.
Eu sou uma armadura e uma casca,
Um amontoado biológico.
Sou todas as dores que ecoam do meu ventre,
As chagas que de minha carne irrompem
E os líquidos que por mim percorrem
Até saírem expulsos dessa armadura.
E ainda assim,
Eles são eu.
Pois o lodo que nos pântanos borbulham
Misturados com o miasma fétido
Também é a minha matéria
E a minha matéria é tudo
E tudo é a minha matéria.
Ainda assim mesmo sobre tais circunstâncias
Devo afirmar categoricamente, antes de mais nada,
Que o tudo que eu sou, não sou eu.
Pois o eu que deveras sou
Encontra se perdido em algum lugar
E o tudo que sou, e que não é eu,
Realmente nunca foi eu.
Este eu foi me emprestado pelo tudo
E assim no tudo eu estou, e não sou.
Desta forma eu permaneço sendo o tudo
E permaneço também sendo eu.
O eu enquanto tudo.
Mas em contrapartida permaneço eu
Esse eu é o eu para mim enquanto eu mesmo.
O eu oculto e não revelado.
O eu solitário e ideal.
Ele existe onde eu nunca fui
Mas, ainda assim, posso afirmar
Que ele está lá.
Só que mesmo sabendo eu não posso prová-lo
Pois mesmo eu sendo eu
A maior verdade é que eu nunca fui eu
E se alguma vez já o fui
Não posso isso saber agora.
Pois o eu que sou agora
Não é conivente com o eu que eu deveria ser.
E mais ainda, o eu que eu sou agora
Não sou e nem nunca foi eu.
Pois esse eu que eu sou e não sou é o tudo.
E o tudo que eu estou sendo, mesmo sem ser
Foi me emprestado para eu ser.
Por isso não vejo como posso ser algo que não sou
Já que em verdade é o tudo.
Faz parte de mim, mas não sou eu.
Eu sou o tudo e quanto ao tudo
Ele também sou eu, mas por pura imposição.
E assim enquanto eu sigo sendo o tudo
Não tenho necessidade nem de ser nem de buscar
O outro eu perdido.
O que sempre fez parte de mim
Mesmo eu não sendo eu, e sim o tudo.
Esse eu pode ser eu enquanto eu sou o tudo
Mas o eu enquanto o tudo jamais pode ser eu.
Pois o tudo nega o meu eu
E o meu eu passa a ser o tudo
Deixando de ser eu para ser apenas uma sombra
No tudo.

Obrigado Guto pela visita...
ResponderExcluirVocê tem a poesia à flor da pele rapaz! Ahsauhsuahuah nós mineiros com veia poética? pode ser ...
Se puder deixar MSN pra contato... me add lá se tiver..leolandcaster@hotmail.com
Abraço!
PS: venha conhecer mesmo a terra do pao de queijo XD