Os Dias
O poema trata de um tema natural, o desespero de sentir os anos passando e saber que a velhice e todas as suas irremediáveis mazelas estão próximas. Daí a vontade de fuga para terras lentas, ou até mesmo uma terra do nunca onde o garoto perdido ficaria de vadiagem por tempos indefinidos (Ronaldo que o diga, RSRSRS). Aqui a velhice é temida por trazer a fraqueza física, roubar os vigores da juventude e nos informar inconvenientemente que “os dias” já estão se esgotando.
Com a velhice de meus ossos não aprendo nada mais,
Não há o que pensar de mim no hálito exausto,
Nem quero ver essas pernas fracas que se quebram,
Rompem-se na frieza do outono semi nublado
E não mais se erguem para avante caminhar.
Há um mundo que ficou para trás,
Por isso eu alimento o meu rebanho de desgostos,
E vou além do que me disseram ser o certo
Para ter do que se arrepender depois.
Vou fugir para a terra lânguida
Onde as meretrizes são rainhas
E os vadios de beco, seus magistrados
Mantendo a ordem clara, a qual eu nunca soube conservar.

Um grande Saravá para o amigo Guto.
ResponderExcluirCom grande agrado tenho apreciado os seus comentários no blog Alfobre, que faço questão de dizer que é de todos! Até de certos personagens que me maltratam c/palavras impróprias! Mas nem os apago! deixo que se perpetuem os dejectos "ideológicos" que proferem,... as acções ficarão para quem as pratica, e sepultarão os seus autores.
Ora aqui temos mais um sentido tema tão bem apresentado por si, e cantado em Poesia.
É no que nos tornamos depois de os "senhores" do mundo nos terem comido a carne e até lambido parte dos ossos!
Caminhamos para a pior doença que já constitui 'pandemia': a Velhice.
Lembro a angústia do elefante que se afasta da manada e se encaminha para o cemitério secreto da sua espécie, obedecedendo ao azimute que o instinto aponta.
Já velho e menos capaz de acompanhar os seus, para lá se dirige ficando a aguardar a visita da morte.
Ele e a sua conhecida grande memória, o que não sofrerá pelo ostracismo a que foi votado pela chamada selecção natural?
Esta fase da vida elefante em que eles recolhem ao "lar" da morte, sempre me dá uma tristeza muito grande!
Até ele, a enorme fortaleza de carne e osso, acaba sozinho e triste.
Obrigado pela sua Poesia.
Tira-nos do 'deixa andar'! faz reflectir e isso é por vezes incómodo, mas indispensável!
Quanto mais nos 'incomodarmos' c/estes pensamentos, mais fortes estaremos para enfrentar os que nos julgam distraídos (...)
Um abraço irmão
deste seu simples,
César Ramos
Caramba, realmente os tempos e os dias passam muito rápidos!!!
ResponderExcluirPreciso saltar de paraquedas antes que venham os problemas cardíacos ou de pressão!
O tempo corre e sempre contra nós, nunca está ao nosso favor, nunca é o suficiente e nunca passa quando queremos.
Vamos fazer loucuras antes que elas nos façam.