A Mansão Nublada
Não haverá uma nota introdutória nesse poema, gostaria que quem for se atrever a lê-lo tire suas própias conclusões e se puder as envie para mim, por e mail ou comentário no blog. Acho que sou incapaz de criar uma nota para este poema sem com isso destruir todo o mistério do que ele significa para mim. Ele é todo de seu.
"Eu aprecio estes momentos(...)"by Teddy Duchamp... O Outono da Inocência - Stephen King
A Mansão Nublada (Guto)
Um estalo ecoando na extrema distância silente
É um enigma contido em milhões de amanhecer.
Se assim quiser, cerque-me, humilhe-me, violente-me
E castre-me
Estou aqui para tombar
Afinal, por mais que eu resista,
Somam-se à vida fatos tolos, como morrer e amar.
Só exijo o que a mim pertence
E deixo no relento esse corpo que seca,
Como uma brincadeira alquímica que já dura há anos
Até que acaba – Morre- como um cigarro até o fim tragado.
Um estalo ecoando de novo; e de novo.
Seu som irá cessar,
Irá...
Mesmo que a nossa geração de farrapos grite em uníssono
Ou até mesmo que gravemos nossa voz em LP,
Ou consumamos LSD.
Loucos Sabem Demais,
Nossos mártires estão travestidos e olham o céu sem ambições,
Eles atiram-me tua coragem artificial por correntes de e-mail
Com as vidas carecendo de significado,
Por isso componho um amém envolto em cédulas,
Para tentar, entre um gole e outro
Refletir à luz do sonho pegajoso
Esses dilemas que se queimam fácil,
Inocência que se turva em sangue bacante,
Fagueira bárbara frustrada - culpe Roma -
Altar pagão que se esvai em ritos secretos.
Enigmas de milhões de amanhecer,
E eu sempre me perco,
Levado pelo fluxo principal,
Evitando-o quão besta bíblica,
Mas sempre levado, sempre tombando
-AMANDO-
Morrendo e agonizando.
Sempre arrastado,
O corpo jazendo, ferido de morte, mas com vida,
Dane-se!
E estalando, ecoando.
Sorrindo débil, como se o amanhã fosse um lugar esquecido,
Perdido, um ideal pelo qual lutamos
Falido e fedido.
Fonte da Imagem: http://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/01/5d/ff/a3/tarde-nublada-en-mocambique.jpg
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