Talking About my Generation!!!




-Geração de Farrapos- o que isso quer dizer? Um dos motivos pelo qual eu coloquei essa expressão no poema (A Mansão Nublada) foi porque é como eu vejo a minha geração. Acho que a geração X apanharia da minha. Os nascidos a partir de 80, chamada de geração Y. Não sou nem um pouco moralista –acho que já disse isso muitas vezes- mas acontece que há um hedonismo extremamente suicida caracterizando essa geração de filhos da tecnologia de ponta e informações ultra velozes. (então é outra festa/ é outra sexta feira/ que se dane o futuro/ pois se tem a vida inteira) As palavras de Renato Russo caracterizaram bem o que vemos hoje em dia, e olhem que foram ditas pela primeira vez a quase três décadas, antes mesmo de minha geração caminhar pelas nossas festas de desespero, estávamos de fraldas ainda. Então me diga como elas podem soar tão atuais e tão presentes no nosso dia a dia? Talvez a história humana seja mesmo cíclica e se repita eternamente (um eterno retorno ao mesmo), ou talvez o ser humano seja em suma, igual em seus anseios e comportamento, e por mais que uma geração acredite na tolice de superar ou romper com a precedente, elas estão ligadas ao cordão umbilical das necessidades transitórias do amor que nós alimentamos pelo banal.

Não acho que é preciso ser nenhum gênio para perceber isso. Só somos levados, soprados como bolhas de sabão, nesse caos dos sentidos, martelados e martelados por estímulos que moldam nossos conceitos como uma colcha de retalhos de superfície, sem nenhuma profundidade da realidade à nossa volta. Acho que sempre foi assim, mas com a automatização de tudo o que antes era humano as coisas se tornaram robóticas de maneira nunca vistas.

Certo pensador disse que a tecnologia só nos afasta de nós mesmos. E se for o contrário? E se a tecnologia, ao em vez disso, nos aproximar de nosso eu banal e corruptível, nosso eu expulso do paraíso?

Acho que é preciso mais estudos sobre esse fenômeno da minha parte. Afinal eu só compreendo a minha geração a partir de mim mesmo e do que eu vejo mostrar essa juventude letárgica à minha volta, da qual eu faço parte e caminho sob seus mesmos sinais. Sempre levados e arrastados, tropeçando, mas não enxergando. O que poderíamos fazer? Que loucura.

Acho que saber que ossos envelhecem é um conhecimento maldito. Como costuma duvidar meu amigo, Izaac: “Talvez devamos ser felizes na ignorância”? É essa a mágica dessa geração? A felicidade ignorante? A tanta informação a nossa volta, tanto conhecimento, tanta porcaria filosófica, tanta merda psicológica que acabamos sabendo tudo, ou seja, nada. É como eu disse antes, almas ou colchas de retalhos de conhecimentozinho aqui, uma saberzinho ali e na verdade nada de concreto. Só um monte de zumbis arrastado pela corrente de prazeres em cada canto e afogados em mil estrelas de informação.

Tudo são formas de escapismo, e isso é perigoso. Como disse Torquato Neto: “a velha queimação de fumo o dia inteiro.”. Onde é que eu assino?

Quantos pensamentos escondido atrás de uma expressão tão minúscula.

Comentários

  1. Guto, serei até um pouco oportunista e resoluto - como se fosse de minha capacidade -, sem platonismo...existe uma felicidade superior, e é mais que óbvio que seu dono legítimo seja também um homem superior, ao menos na sua escala de valores. Entendo que quanto e pura ostentação, poder e liberdade falar "sua escala de valores" porque meu amigo, quase ninguém tem uma. Na geração de farrapos, somos nós os "concientes" que sabemos que choramos ao nascer porque a demência já trazemos nas entranhas. Por fim, sobre as dúvidas...esqueça-as, todo bom homem precisa de sua dose de inferno.

    ResponderExcluir
  2. Muito bom texto, com reflexões intrigantes eu diria, sito até um trecho: Certo pensador disse que a tecnologia só nos afasta de nós mesmos. E se for o contrário? E se a tecnologia, ao em vez disso, nos aproximar de nosso eu banal e corruptível, nosso eu expulso do paraíso?
    Isso seria motivo de terapia para alguns, porque teríamos que nos repensar como seres humanos racionais que pensamos que somos e pior!!! Para os ditos salvos do pecado original, isso sim seria sem dúvidas um pesadelo!!!
    O tempo está cada vez mais curto, ha alguns anos atrás, conseguíamos passar horas a fio dedicando nossa atenção a uma boa leitura e o tempo dava para isso e para muitas outras coisas mais... Curtir as férias escolares, dormir uma noite inteira, acordar na madrugada e ainda ser noite... Enfim... Hoje em dia o tempo corre, piscamos os olhos o dia acabou, piscamos novamente, já iniciou outro dia, contamos os segundos no relógio e cronometramos quantas atividades conseguimos iniciar, sem mesmo uma previsão de termino.
    Percebo que a informação tem acompanhado essa loucura do tempo. A internet, a tecnologia, os amantes de informação (sejam jornalistas ou curiosos), tudo isso vem levando a informação de um lado do globo terrestre ao outro em fração de segundos, mas essa informação, corre, corre, e parar que é bom, nada... Ninguém fixa essas informações, ninguém as degusta, ninguém consegue parar para gerar reflexões acerca delas, elas apenas passam, e se hoje alguém sabe muito de nada, amanhã essa mesma pessoa nem lembrará o que comentou hoje, porque já existem novas fontes, novas notícias, novo material banal para ser mastigado e cuspido, mas nunca digerido... Talvez isso seja o reflexo dos novos tempos, como tudo se transforma na natureza, esse excesso de informação atrelado a falta de tempo para analisá-lo, também faça parte desse processo de mudança.

    ResponderExcluir
  3. Isaque, você sempre está sendo oportunista, meu caro. rsrsrsrs.Então, você sabe que eu não me deixo levar por estes ditos estilos de vida superior, acho que superior é o que nos convem a nós mesmo (não provocando o assassinato nem de um nem de milhões) e o que não crie raízes de dúvidas, se bem que é mais correto que sempre possuiremos um fagulha de dúvida brilhando em nosso interior, por mais que a religião diga que Deus é a verdade absoluta e Cristo o caminho a verdade e a vida. De uma maneira vejo isso nessa "Geração de Farrapos", a certeza de que... de quê mesmo? Tá vendo ai? Não temos certeza de nada, e na verdade nao sei se existe uma importância em ter certezas teológico/metafísicas que podem gerar engano e assassinato, quando o que temos aqui a nossa volta e borbulhando em nossos ventres é o suficiente para criarmos uma "felicidade superior". Estamos cada vez mais longe dessa felicidade mas criamos juntos uma maya que nos ilude temporariamente na forma de drogas, jogos, passeios dominicais, raves e clubs noturnos. Não nego a importância dessas coisas, mas isso por isso é niilista de mais para mim. Como Elba disse muito bem acerca do encurtamento do tempo, e se continuamos a dar importância máxima ao efêmero, talvez nossa geração nem devesse ser lembrada na posterioridade.

    ResponderExcluir
  4. É justamente isso que faz de nós a geração dos farrapos...nós não nos vestimos de coisas reais, no sentido romanesco da coisa. Falta paixão, no seu sentido conciente, como e mesmo? Dionisíaco! isso, wertheriemos!!!!!!!!!!! faustiemos!!!!!! sejamos tdo e ao msm tempo nda!. A felicidade superior existe, e que você marque ela com perspectivismo mas nela eu não simplesmente acredito, eu VIVO!

    ResponderExcluir
  5. Geração dos farrapos? Criativo, mas o poema não tem nada de farrapo, é muito bom!
    um abraço, ótima semana

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O Animal Rei II (Guto)

Eu Sei, Você é Decadente (Guto dos Santos)

She Got to Grow Alone (Guto)