A Mater Pálida
Agora eu encerro a minha trilogia voltando à mãe, ao arquétipo, e lanço as mesmas dores sobre ela. Ao que tudo indica a mãe deve sofrer mais que os outros porque sofre duas, três vezes mais que o indivíduo que só sofre por si. Ela em contrapartida além de chorar por si mesmo, também chora a partida de sua cria, sente o chamado da natureza, ouvi os sinos da divisão tocando em seu corpo fragilizado e persisti, pois é essa a natureza da mãe, a de aceitar a sua sina e destino de “Mater Pálida”. E mesmo que a voz diga-lhe para “não persistir” a outra natureza, a feminina, a que cria e mantém, dá para ela uma nova vida, um novo orgulho. Por isso que para ela é dolorosa a separação, ver sua cria sumir na bruma. Essa é uma dor que a mãe aceita e da qual ganha mais uma cicatriz interior como medalhe. Mais que um simples poema, esse é uma ode as “Mater Pálidas” da humanidade, as Madres Terezas, Irmãs Dulces, Joanas D’Arcs, Marias Bonitas, a minha mãe, a sua, a de nós todos e a Mãe Natureza geradora e sustentadora. Esse símbolo poderia esperar até o mês que vem, para o dia das mães, mas não vai (rsrsrs) ele quer vir ao mundo agora.
Para concluir, só queria dizer que apesar do tom melancólico que cobriu essa trilogia constantemente, ela não é caracterizada pelo desespero, mas só pelo clima de chuva, pelo andamento lento de Adágio ou um estado de espírito de misticismo e observação. A tristeza que parece está presente é, antes de tudo, resignação diante da condição humana e a necessidade de saber que é preciso conseguir a força sobre esse caminho, porque é este o único que possuímos e é só com ele que podemos construir outros caminhos.
Caminhemos!!!
A Mater Pálida (Guto)
(Trilogia Melancólica – Parte Final)
Mater Pálida seu fulgor se extinguiu
Junto com tua prole, que na névoa sumiu.
Caminhas sem lar, seguindo rumores.
Não deixe que esta brisa lhe lance teus horrores.
Se a dor da derrota se abrigar em teus seios
E a voz fria da brisa atingir-lhe em cheio,
E se suas palavras forem tão convincentes
Saiba que é no teu ventre que ela se faz presente
Trazendo tributos de tempos passados,
Torturando-te com as imagens de seus erros perpetuados.
Mater Pálida de negro semblante encardido
Saiba que nesse mundo só há anjos caídos,
E mesmo que da brisa não possas fugir
Ou da sua voz sussurrando “porque persistir?”
Não cubra teu corpo com trajes luto
No orgulho aceite o que lhe sobrou como fruto.
Pois se na primavera o prazer ousara consumir
Só lhe resta no inverno sentir o frio emergir
E cobrar de seu corpo o preço exigido
Mas não ache que com isso o paraíso é perdido.
E agora que caminhas sobre essa planície árida
É porque a tua sina é a da triste Mater Pálida.
Fonte da Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhYVbWgE58wni9r1bqrEF-rHceR5Shvumu41r_qndlY1wN4ulO9Papo94bgnjeCkDnpA5vbkm0w2YF7g0HdH65EqNaQC6fC_Vg08CEbaoNBy9zq8syALbKUgnf2lh9MES2HA6JLRxSNTSky/s400/M%C3%A3e0.jpg

Bela e intensa,cronica tua, uma ode and overture!
ResponderExcluirMerci,poeta!
viva la vida
Grato pelas belas palavras Ricardo,
ResponderExcluirum grande abraço!!
Guto,
ResponderExcluirJohannes Brahms, na sua Vals en La bemol mayor, op. 39/15, daria um bom fundo musical para este seu belo poema.
Devo confessar que, só sei definir esta interpretação musical desta forma tão específica porque, é o que está escrito num CD que trago no automóvel.
Já ouvi isto muitas vezes. Porém, hoje, ao voltar a ouvir, senti tudo diferente! Questão de vibrar conforme a vida nos dá o lamiré! E o lamiré dá-me, hoje, para a tristeza.
Será então natural que eu, de ouvidos cheios, me sinta bem a ler o seu poema com esta musicalidade toda no ouvido!
Dá-me para a tristeza, mas também não me apetece estar alegre e, fico razoavelmente ambientado assim!
Desde que arrumei a viatura, pensei buscar esta música no Youtube e fazer um post. Para ver no que vai dar (...)
Entretanto, apareço para lhe comunicar a minha vontade de partilhar consigo um prémio que me dedicaram, e acho que em termos culturais o Guto é mais merecedor do que eu!
Trata-se do Selo «Prémio Dardos», que fica à sua disposição e critério de o utilizar ou não, e... se encontra no ALFOBRE, para um eventual 'copy paste'.
Quem o atribuiu, investe num sistema pirâmide em que temos de dedicar o prémio a "n" blogueiros. Por mim... a escolha é minha, e deixo o livre arbítrio de seguirem ou não as regras! Afinal,... as regras são para serem seguidas e, também, para não serem seguidas!
Acho que, se puser apenas o selo, por mim já estaria bem! E se não quiser pôr nada, respeito a sua liberdade de decisão!
O meu intuito é apenas que o Guto saiba que adoro os seus trabalhos, e que para mim tem todos os galardões do planeta!
Sejam "Dardos", ou "Espadas" da Justiça de que o Mundo carece!
Aceite um grande abraço de amizade do sempre seguidor e amigo,
César