Elegia ao Apodrecido Coração
A segunda parte da Trilogia Melancólica é dividida em duas partes. As mesmas poderiam ser classificadas em epílogo (que corresponde ao “Do princípio Amargurado”) e estória em si (Do vale Negro), Nas quais os poemas narram uma estória alegórica e filosófica de um humano qualquer que bem poderia ser eu, você ou qualquer pessoa que se julgue “humana”. A influência exercida pela brisa que invade e corrompe o “coração apodrecido” é a mesma que vemos em nossas vidas quando do momento da tal perda da inocência. Embora alguns fanáticos religiosos possam cometer o erro de associar a minha brisa poética ao diabo bíblico, não lhes tiro totalmente a razão, já que eu costumo acreditar que o “tal demônio” não passa de nós mesmos projetados em uma figura que conseguiu englobar todos os nossos atributos desprezados e repudiados por nós. Por isso a história humana conseguiu forjar tão abominável que não é nada mais que “humano, demasiado humano”, se é que vocês me entendem E é assim que a brisa vem corrompendo o coração e apodrecendo-o, com o oculto que nunca quisemos encarar em nós mesmos. Porem a corrupção não é feita através de sedução e convencimento, mas sim através da imposição e da força de atração irresistível que essa brisa lança sobre o coração, que bate em staccato ao ouvir e sentir a música chamariz, acabando por se lançar numa senda sem retorno. Arrecadando com isso o repúdio dos outros. Pretendo continuar trabalhando nesse mesmo conceito algum dia. Talvez quando eu me aposentar ou criar coragem de macho e vergonha na cara.
Apreciem
Elegia ao Apodrecido Coração (Guto)
(Trilogia Melancólica – Parte 02)
I
(Do Princípio Amargurado)
Tenho lembranças daquela brisa que me bateu a porta,
Veio até mim e não mais quis partir.
Tenho seu cheiro presente na lembrança,
Ainda invade as minhas narinas
E me enoja a alma com seu cheiro de sangue seco.
Quero me livrar dela mais já se tornou minha parte
Sempre circundando à minha volta e consumindo-me,
Nutrindo o coração e vertendo-o em pus amarelo.
Agora cada vez que no meu peito bate o staccato ritmado
É essa brisa que me guia ao penhasco.
E lá seu império é interminável,
Sua voz se torna grito e se levanta em tempestade
Anunciando o que bem quer para me torturar
"Por que persistir?”
E eu me curvo envergonhado
II
(Do Vale Negro)
O coração aumenta sua freqüência
Sorrindo sádico diante desta ópera de decadente opulência
E até os vermes, que agora em seu interior se aquecem,
Lamentam o destino destas células que adoecem.
A brisa guia esse coração por um vale obscuro.
Uma pobre alma que só pedia um amor puro
Agora vaga com a bestialidade de um vil errante.
Perpetuando atos execráveis e tão ululantes.
E se os outros agora evitam o seu negro caminho
Bate mais forte e os amaldiçoa preferindo andar sozinho.
E assim percorre essa trilha como um lobo no inverno,
Mas no seu intimo ainda deseja um olhar terno.
Que lhe devolva o sentido de onde ir
Mas vem a brisa e sentencia “Por que persistir?”
E o fraco desaba e cai inerte sobre a vida
Chorando amargo e sentido o amor uma estrada perdida.

Olá Guto,
ResponderExcluirVoce escreve muito bem, consegue unir poesia, filosofia, mitologia. Consegue trazer palavras das mais diversas areas e dar a elas um brilho e uma cor, dar vida as palavras. Consegue fazer mágica com barro, fazendo juz a frase "o poeta é o mensageiro de Deus".
Cleidson de Oliveira
Blog: conviteaofilosofar.blogspot.com