Sonho Lúcido (Guto)

Sonho Lúcido (Um Conto Errante) 



A luz do sol atravessa a janela aberta...  Essa luz que viajou a trezentos mil quilômetros por segundo e chegou aqui...  E chega todos os dias.  Eu estava de pé...  Observando o seu caminhar... o seu dominar...  Nada disso era planejado... Duvido que o sol pense no que fará amanhã  ou planeje sair para beber com os amigos no final de semana...  Eu mesmo não tenho planejado nada -  igual ao sol -  apenas vou avançando a trezentos quilômetros por segundo em minha profunda loucura e insistindo em algo fraturado e falido.....  Não me dou ao luxo de me perguntar o porque - sei que o sol também não se pergunta...  Somos iguais... Morremos num horizonte e nascemos no outro...  Como ele está fazendo agora...  E eu tento fazer também pois é o que me resta. Seguindo com esse samsara cotidiano até a grande queda no abismo do esquecimento....  Quem sabe seria hoje... ou amanhã!? Talvez o sol exploda ou a minha vizinhança inteira...  Ainda assim eu teria que seguir com a minha vida lamentável...  Eu teria que ser eu...  Uma lástima...  Uma lágrima no infinito e um pulso  irrestrito.  DROGA! As vezes não faço idéia do que estou falando...  Ou finjo não saber....  Bem...  Duvido que o sol o faça...  Mas nunca poderei saber...  Ele não fala comigo...  Apenas me olha (ou não)  e segue sua vida...  Como um deus grego prepotente e decadente...  Escravo do seu ciclo heliocêntrico...  Como eu..  Escravo do cotidiano...  Escravo do meu body and soul... Trezentos mil quilômetros por segundo de escravidão....  O que é deixado pra mim como  migalhas e promessas de amor...  Uma dor não pensada e não raciocinada....  Ao menos posso apagar antes do sol...  Esse bossal...  Escravo de sua fusão nuclear....  Dos seus núcleos de hidrogênios se fundindo em hélio....  Pelo menos  a minha vida é uma só...  Ou eu penso ser....  Maldição.... Do que eu estava falando mesmo....  Ah! Era o sol...  E como somos sós! 

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