One Year Without Alcohol
(Guto Dos Santos)
No dia 06 de fevereiro eu completei exatamente um ano sem ingerir uma única gota de bebida alcoólica. Para alguém como eu que dificilmente passaria um dia sem tomar uma longneck de Heineken ou uma taça de um bom tinto suave para "relaxar"... diria que isso é muita coisa.
Entretanto e curiosamente... Contrariando o que é bastante convencional quando se para de beber álcool. - Quero dizer.... Geralmente os ex bebedores (ou ex temporários) costumam adquirir uma certa aversão e até uma intolerância à bebida... De modo que tomam até asco de estar próximo de quem bebe socialmente (ou insociavelmente). - Mas, como eu estava dizendo... Indo pela contramão de tudo isso... Eu não sinto (nem senti)nenhum desses efeitos quando resolvi que em dado momento não desfrutaria mais dos prazeres báquicos que tanto me acompanharam. Fico numa boa perto de pessoas que bebem e até me divirto vendo como nos tornamos repetitivos sob o efeito da bebida alcoólica.
Talvez, essa falta de desprezo à bebida, se deva ao fato de que em certo nível eu sempre bebi por gostar de beber... Era uma atividade que me dava prazer e relaxamento... Eu não sentia que estava viciado ou era alcoólatra.... Afinal... Sempre que queria "dar um tempo", o fazia.
Além disso a bebida tem suas propriedades de aniquilação das barreiras entre o nosso consciente e o inconsciente (como disse Nietzsche - não exatamente com essas palavras)... O que acaba trazendo um verdadeiro momento de auto conhecimento. Como pode ser visto na obra A Erva do Diabo de Carlos Castaneda... Onde além do álcool o autor durante um tempo faz uso de diversas drogas psicotrópicas com o objetivo de alcançar um tipo de conhecimento transcendental.
O problema é que essa ferramenta para o auto conhecimento, quando usada sem o devido - ou capacidade de - controle próprio pode acabar se tornando uma verdadeira prisão e destruir a vida do indivíduo completamente... Destruição essa da qual a personagem Emil Sinclair do romance Demian de Herman Hesse escapou... Durante o seu período de dissipação alcoólica, quando este andava em meio à toda a sorte de bebedores e rufiões juvenis e percebeu que aquela prática estava levando-o para um caminho sem volta.
Com relação a mim, nunca flertei com o lado ultra destrutivo da bebida.... Apesar de já ter feito umas besteiras sobre efeito do álcool, não estava num caminho sem volta... Eu bebia por que gostava mesmo.
Mas, como eu posso saber se não tinha um fator vício inserido ali no meio? Não sei.
Pois bem... Então, o que teria me levado a parar de beber(?)... Essa deve ser a pergunta que exige uma resposta.
Percebo que muitos fatores me levaram ao stop... Um deles é que a prática não me agradava mais... Isso porque eu sentia que ela provocava uma queda abrupta no meu nível de consciência.... E isso me fazia sentir sutilmente mal comigo mesmo... E as vezes muito mal... Com aquelas desagradáveis ressacas morais que nos desconectam de nós mesmos.
Outro fator que eu julgava importante era que eu percebia que a prática constante costumava criar uma certa indisposição entre mim e minha ex-namorada.
Se estes não são motivos suficientemente fortes para que uma pessoa resolva que já chegou a hora de parar de beber.... Então não sei quais são!? (kkk).
Afinal de contas... Eu já havia bebido durante um bom tempo da minha vida... Era o momento certo de parar e dar espaço para outras coisas na minha vida.... Coisas mais construtivas. Eu sempre fui uma pessoa de bastante energia... Só precisava focá-las em locais mais produtivos para mim e para as pessoas à minha volta.
Por exemplo, sempre retardei o início do meu processo de auto conhecimento... Muito por conta de que o tempo que eu tinha livre era ocupado com a prática de "tomar uma".... Bastou que eu parasse de beber e esse processo começou quase que automaticamente.... Voltei a meditar assim que parei de beber.... Dessa forma as outras coisas começaram a fluir na minha vida de maneira mais orgânica.... Embora eu tenha passado por certa dificuldade durante um tempo... Mas tudo muito natural dentro desse maravilhoso processo que é o auto conhecimento.
A bebida foi um período importante na minha vida... Me deu muito prazer e até alegrias (claro).... Mas chegou um momento de transição... E nesse momento eu percebi que não podia exitar..devia optar por práticas que também trouxessem prazer e alegria... Mas que fossem construtivas na minha vida.
Todavia... Apesar de ter parado de beber... Eu particularmente não fico pregando que as pessoas devam parar... Ou sabe lá o que... Me esforço para ter em mente que cada qual sabe(ou não! ) o que deve fazer com suas vidas... O aprendizado é individual e eu não sou ninguém para apontar nada... No máximo apenas posso fazer o que eu fiz... Relatar a minha humilde experiência e esperar que sirva de inspiração para quem estiver com vontade de parar (ou não).... Tenho procurado ser um caminho e um exemplo... Mas apenas para mim mesmo!
NAMASTÊ!
FIQUEM BEM!
Om!

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