Outro Bater de Poderosas Asas (Guto)





Há algum tempo eu me meti a ler os quadrinhos do Sandman, escritos pelo genial Neal Gaiman – uma obra magnífica, por sinal.

Em uma das edições do primeiro arco vemos o encontro entre Sonho dos Perpétuos e a sua irmã mais velha, Morte. Os dois finalmente se encontraram após as décadas nas quais Morpheus ficou encarcerado no círculo de magia. Depois que ele consegue fugir e recuperar os seus objetos de poder, o mesmo acompanha a sua irmã favorita durante um dia de trabalho da mesma – trabalho este que sabemos muito bem qual é!

Foi durante esse passeio que Sonho usou a expressão “com o bater de poderosas asas” que me tocou (digamos) profundamente. Embora eu soubesse o que ele queria dizer com aquela expressão, logo pensei que ela poderia ser usada não só para as asas da morte, mas poderia ser expandida e adequada a outros seres da mitologia.

Dessa maneira, eu usei a expressão no título da minha postagem anterior para aludir ao bater das poderosas asas de Eros... as asas do amor... Amor que nos guia... nos faz felizes e cheios de júbilo... mas que também nos lança na Geena e nos faz sofrer.

O outro bater de asas trata-se do tempo. Cronos (o titã) para os gregos, ou Saturno para os romanos... É sobre o império do tempo que o devir se procede e nada há de perdurar para sempre!

Continuando...

Há muitas coisas que me tocam e me fazem refletir... e penso que isso é algo que acontece com a maioria das pessoas. Embora, a diferença entre mim e a maioria delas é a necessidade que eu tenho de transpor uma ou outra reflexão para o papel. Talvez haja nisso a necessidade de tentar de alguma maneira eternizar o não “eternizável”... já que o bater das poderosas asas do tempo torna isso impossível – ou não. Como mostram os escritos védicos da Índia e o que escreveram os pré-socráticos na recém nascida Grécia. Tudo se encontra impresso em papel. 
Sem me prolongar, ainda mais, nessa introdução que já ficou enorme...

Nesse ano de 2020, estamos vivendo um momento sem precedentes na história da humanidade – por mais que isso pareça um exagero, infelizmente é a verdade. Um vírus que começou como algo local – na China – e dava a impressão de que teria também uma solução interna, acabou por se alastrar para uma proporção global nos moldes de filmes apocalípticos de Hollywood.

O bater de poderosas asas se eleva sobre todos nós.

Não tenho a intenção de tocar no aspecto científico da situação, entretanto, a faceta política de tudo isso é relevante... Uma vez que os governos foram lentos ao tomar algumas atitudes para prevenir a disseminação do vírus. Embora, também não adianta nada chorar pelo leite derramado e, em meio ao caos que cresce a cada dia, ficar a apontar este ou aquele culpado.

Culpado por culpado... temo-os de todos os lados... desde os governos e a sua morosidade para agir, até a população com a sua ignorância costumeira ao desrespeitar a quarentena e teimarem em sair de suas casas. Ou pessoas que, mesmo sabendo estar contaminadas, se deslocaram de um lugar para o outro.

Não vou dizer que a população brasileira deveria fazer como os chineses, que construíram um hospital em duas semanas (pelo menos foi o que a mídia passou para nós, e é assim que a nossa realidade é construída – conforme o que os meios de comunicação nos oferece). A nossa cultura é completamente diferente da dos chineses. Deve-se lembrar que eles têm milênios de desenvolvimento cultural e civilizacional, enquanto que o Brasil tem pouco mais de quinhentos anos nos quais começou a se formar entre quedas e tropeços. Quando o governo chinês da uma ordem, o povo prontamente obedece. Bem diferente do povo brasileiro.

Sendo sincero comigo mesmo, a verdade é que eu não sei o que o povo deveria fazer numa situação dessas, além de atenuar a chegada de um inimigo que não se move, mas avança levado por nós mesmos. Para isso, talvez a melhor coisa a se fazer seja NADA, ou seja, ficar em casa. Como nos aconselhou as autoridades... Dessa forma, não impediríamos, mas, estrategicamente retardaríamos o processo de contágio enquanto depositamos a nossa fé na ciência e na providência divina. O único problema é que estratégia requer uma certa disciplina e convenhamos que falta muita disciplina ao povo brasileiro.

Caminhemos e...
...boa sorte para todos nos... a tempestade certamente irá passar!

“OM”

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